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Hospital de Trauma de João Pessoa promove diálogo sobre violência contra a mulher com equipe de Apoio
Em um setor com mais de 50 profissionais, a maioria homens, as mulheres da equipe de Apoio do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, lidam diariamente com o que muitos preferem não ver: vítimas de violência doméstica, pacientes em crise e famílias recebendo notícias difíceis. São elas, muitas vezes, o primeiro rosto que um paciente encontra ao entrar na unidade.
Em alusão ao Mês da Mulher, o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) promoveu um momento de diálogo com essas profissionais, com foco no enfrentamento à violência contra a mulher e no fenômeno do feminicídio. A atividade foi conduzida pela psicóloga do SESMT, Magdaline Lima.
"Esse momento foi pensado como um espaço de escuta, acolhimento e reflexão. As profissionais vivenciam, no dia a dia, situações muito delicadas, especialmente relacionadas à violência contra a mulher, e isso impacta diretamente a saúde emocional delas", afirmou a psicóloga. "Falar sobre feminicídio é essencial para fortalecer essas mulheres e incentivar o cuidado não só com o outro, mas também consigo mesmas", ressaltou.
O encontro abordou os impactos emocionais de trabalhar em contato constante com vítimas de violência e proporcionou espaço para troca de experiências entre as participantes. No Hospital de Trauma que é portas abertas — atende urgências e emergências —, a equipe de Apoio orienta pacientes e acompanhantes, realiza abordagem inicial em casos psiquiátricos e aciona equipes de psicologia, enfermagem e serviço social. A presença feminina nesse contexto tem se mostrado um diferencial, especialmente no acolhimento de outras mulheres que chegam fragilizadas.
Para Jackeline Cardoso, profissional da equipe, o momento teve impacto direto: "Esse diálogo nos fez refletir sobre a violência que ainda existe e sobre o quanto precisamos estar unidas e preparadas para cuidar do outro sem deixar de cuidar também de nós", ponderou.
Maria Cecília da Silva destacou a dimensão pessoal da conscientização: "A gente percebe que, mesmo sendo fortes, também estamos vulneráveis à violência, muitas vezes dentro de relações próximas. É gratificante saber que, através do nosso trabalho, podemos fazer diferença e contribuir para que outras mulheres se sintam mais seguras", frisou.
A iniciativa reforça o compromisso da unidade com a valorização de suas profissionais e com a construção de um atendimento mais humano e seguro.