Trauma reabre brinquedoteca e ajuda na recuperação de crianças internas

Agulhas, médicos e jalecos por todo lado, além de medicações. O ambiente hospitalar já é difícil para adultos, imagine para crianças. Para aliviar o estresse que este cenário pode causar o Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, reabriu, na tarde dessa segunda-feira (13), a brinquedoteca da instituição, realizando um trabalho pioneiro com atendimentos diários de terapeutas ocupacionais e psicopedagogas.

Segundo a gerente multidisciplinar, Ingrid Vilar, o objetivo da reabertura da brinquedoteca é humanizar a assistência à saúde. “Sabemos que existem crianças que ficam internadas por um período longo, devido às gravidades das lesões, e nosso objetivo é ofertar um ambiente acolhedor e tentar trazê-las para uma vida mais normal possível dentro do ambiente hospitalar”, frisou.

Além disto, de acordo com Ingrid Vilar, a brinquedoteca tem como objetivo auxiliar na recuperação e amenizar os traumas psicológicos. “Sabemos que o hospital é para a criança uma experiência muito difícil. Ela tem que viver a separação da família, precisa adaptar-se aos ritmos e confiar em desconhecidos. É neste momento que entramos com as profissionais por meio de atividades lúdicas”, completou.

Para Isabela Cristina Ferreira, que está com seu filho de apenas cinco anos internado na unidade de saúde, vítima de atropelamento, foi uma surpresa saber que há atendimentos com esses especialistas num hospital público. “Ano passado, por conta de outro acidente no Recife, tivemos que interná-lo num hospital particular e lá ele precisou de um acompanhamento com terapeuta ocupacional e não tinha. Foi preciso lutar na Justiça para conseguir, grata surpresa encontrar aqui”, salientou.

A psicopedagoga Marcela Carvalho contou que a proposta é inovadora dentro da Pediatria. “Estamos acostumados ver em outros hospitais esses profissionais atuando na parte neonatal, quando se precisa de estimulação precoce. Já na Pediatria, existe apenas o espaço físico da brinquedoteca. Por isto, aproveitaremos o espaço lúdico para realizar trabalhos de coordenação motora fina e grossa, através de brinquedos pedagógicos. Elas vão adorar essa sala. É a possibilidade de saírem do leito, como se não estivessem mais no hospital”, ressaltou.

É o que aconteceu com a pequena Isabela, de apenas um ano e 10 meses, que está internada há três dias após uma cirurgia na cabeça, devido a uma queda do sofá. Foi na brinquedoteca que ela conseguiu se distrair. “Ela fez a cirurgia na sexta e foi apresentada essa sala para ela hoje. Ela gostou tanto que pediu para voltar”, contou a tia, Jaqueline Leite, enquanto a menina olhava atenta a psicopedagoga cantarolando uma música com um instrumento musical.

De acordo com Ingrid Vilar, a brinquedoteca hospitalar tem algumas especificidades, como por exemplo, os brinquedos, que precisam atender as necessidades do local e as condições de saúde em que a criança está inserida. “No geral, a escolha dos brinquedos a serem usados deve considerar: o risco de transmissão cruzada, o material do brinquedo e a sua possibilidade de limpeza e desinfecção”, comentou.

Para reabertura da brinquedoteca foi necessário um trabalho de parceria entre a CCIH – Comissão de Controle de Infecção, Psicologia, Serviço Social, Pediatria, Enfermeiros e Técnicos de Enfermagem, ou seja, é um trabalho em conjunto com os multiprofissionais da saúde.

Arrecadação de brinquedos – O Hospital de Trauma, através dos seus funcionários, está arrecadando materiais para compor a brinquedoteca. Essa doação interna pode ser de brinquedos de plásticos, materiais como massinha de modelar e canetas. O material será utilizado nas terapias.

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