Hospital de Trauma de João Pessoa é referência em tratamento de queimaduras

Mais de 900 pessoas deram entrada no Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, referência em casos de queimaduras, de janeiro a setembro. Dos casos, a maioria em decorrência de líquidos em alta temperatura (577), objetos em alta temperatura (115) e fogo (80). Destes números, foram 486 mulheres e 415 homens.

Para o coordenador da Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ), Emilton Amaral, a principal causa de queimadura é decorrente do manuseio incorreto de líquidos quentes, como óleo e água, dentro de casa ou no ambiente de trabalho, como restaurantes e padarias. “A exposição à eletricidade e o uso indevido de líquidos inflamáveis, como álcool ou gasolina, também são muito frequentes na unidade”, salientou.

Segundo a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ), a estimativa é que pelo menos um milhão de queimaduras aconteçam por ano no país. Além disto, elas representam a quarta causa de morte e hospitalização por acidente de crianças e adolescentes de até 14 anos de idade. Por isto, de acordo com o setor de estatística da unidade de saúde, a escaldadura (queimadura por líquidos quentes), é a principal causa de acidentes em menores de 5 anos – foram cerca de 150 nesta faixa etária.

Esse foi o caso da pequena Yasmin Medeiros, de apenas dois anos, que se queimou ao puxar a toalha da mesa da cozinha, onde estava o leite quente. “Foi muito rápido, num piscar de olhos vi o leite quente sobre a minha filha. A pior experiência da minha vida. Vê-la bem depois do susto me fez entender que devemos sempre redobrar os cuidados com as crianças. Todo o cuidado é pouco, é melhor prevenir do que remediar”, relatou a mãe Fabiana Medeiros.

O coordenador da UTQ alerta ainda que o mais importante é tomar cuidado para não sofrer queimaduras, porque há sequelas e marcas que ficam para sempre. “Para proteger as crianças, é preciso retirá-las da cozinha toda vez que o fogão estiver ligado. Assim como fósforos, isqueiros e produtos inflamáveis devem ficar sempre em armários altos e trancados”, frisou.

Em 8 de setembro, uma vendedora ambulante, de 30 anos, deu entrada na unidade de saúde vítima de queimadura após um celular explodir dentro da pochete, enquanto trabalhava. Esse tipo de lesão relacionada a baterias e carregadores de celular tem repercutido bastante na mídia, mas não é motivo para preocupação, porque o número de ocorrências é baixíssimo frente ao total de smartphones em uso no Brasil.

Emilton Amaral disse que não existe produto ou receita caseira que alivie as dores e as lesões causadas pela queimadura. “Passar qualquer produto caseiro aumenta o risco de infecção por bactérias, já que a pele fica mais vulnerável. A vítima deve sempre usar água para resfriar a área atingida. O paciente queimado não deve retirar a roupa que estiver usando, ainda que houver sido atingida pelo fogo”, completou.

A Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) é referência na Paraíba para casos de queimaduras de qualquer grau. Possui tecnologia de ponta e está apta a atender vários casos de grandes queimados ao mesmo tempo. A unidade possui cirurgiões plásticos, anestesistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem que se revezam 24h por dia para atender aos 64 municípios paraibanos que pertencem à 1ª macrorregião.

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